Abriu os olhos lentamente e ficou parada, como se precisasse buscar forças para se levantar. Olhou para o lado, ele dormia. Calmo. A respiração profunda. Aproximou o rosto da cabeça dele e respirou fundo, fechou os olhos, aquele cheiro continuava tão bom. Afastou-se. Vagarosamente foi se levantando, numa mistura de resto de sono e tristeza. Sentou-se com as mãos apoiadas no joelho, o corpo um pouco inclinado para frente, a cabeça baixa, observando os pés que tocavam o piso frio. Levantou a cabeça, olhou a sombra da árvore por trás da cortina. Como ela queria que tudo voltasse a ser como antes, que tudo voltasse ao normal. Passou a mão pelo seio, respirou fundo e se levantou. O quarto era amplo, havia espaço suficiente para ter o que quisesse. Sentia-se tão pequena no meio daqueles armários, cortinas, tapetes, poltronas, nada mais fazia sentido. Nem mesmo o conjunto de fotos sobre a prateleira. Quem eram aquelas pessoas? Não se reconhecia mais, não reconhecia mais nada. - Amor, acordada...