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Sem título II

Ele era magro, olhos negros, cabelos encaracolados. Caminhava lentamente pela avenida. Não tinha pressa, não tinha mala, não tinha casaco, não tinha nada que denunciasse quem fora um dia. Depois de tantas lágrimas sobrou apenas isso. Trapos que flutuavam sujos ao vento.
Sempre foi ousado ao ponto de sonhar o impossível. Quase o alcançou. Mas a vida se encarregou de matar grande parte dos seus sonhos. A outra se encarregou ele mesmo.
O presente era sempre insuficiente, queria sempre mais. No entanto, não soube administrar os sentimentos e isso acabou por inundar seus olhos e apagar a sua alma.

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