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Apenas Nós

O toque em cada centímetro do corpo. Lábios molhados deslizando pela pele. O toque forte, suave. A saliva quente. O cheiro. O salgado do suor escorre pelo meu ombro. Percorre minha cintura . Espalha-se pelo passeio de sua mão. Coração dispara. O sussuro da respiração. Os pêlos eriçam-se. Meu corpo se contrai, estremece. Enrosco-me na malícia dos desejos. Contraio e relaxo. Evaporo. A brisa da sua respiração percorre a minha espinha e sobe até alcançar a orelha. Seu corpo molhado enrosca-se no meu. O cheiro, o gosto, a textura do desejo espalha-se por todo ar. Sua língua transpassa os limites. Todos os ângulos, O ritmo muda e a dança continua até amanhecer. Os braços e pernas percorrem todos o espaço, interminavelmente, para depois repousarem exaustos um sobre o outro. Sem tempo nem espaço. Apenas nós.

O vento

O olhar ao longe, como se estivesse a procurar algo inexplicável. As folhas balançavam ao som do vento. Um vento frio e incessante. Não estava só, o silêncio o acompanhava. Um silêncio que só a ele pertencia. As sensações se misturavam. A pele se desfazia, assim como se esvai o sutil tocar de lábios. Amores tenros e momentâneos. O calor de seu corpo esfriava. O som das vozes perdiam-se no vento. Tudo girava. Não era mais possível distinguir o que era real e o que havia sido um sonho. Tremia. Não conseguia saber bem o porquê. Seria pelo vento gelado, ou pelo calor que se esvaia do corpo? Impossível determinar. Tudo, tudo tão longe. Os pensamentos se perdiam nos caminhos da lembrança. Misturavam-se os sonhos, os desejos irrealizados, os medos e anseios que o angustiavam antes de dormir. Um turbilhão formado por tudo que ele foi e por tudo que desejou ser e fracassou. Por muito tempo almejou ter o poder de esquecer. Fugir das lembranças que teimavam em enlaçá-lo e assombrá-lo. Agora isso...