Pular para o conteúdo principal

Apenas Nós

O toque em cada centímetro do corpo. Lábios molhados deslizando pela pele. O toque forte, suave. A saliva quente. O cheiro. O salgado do suor escorre pelo meu ombro. Percorre minha cintura . Espalha-se pelo passeio de sua mão. Coração dispara. O sussuro da respiração. Os pêlos eriçam-se. Meu corpo se contrai, estremece.
Enrosco-me na malícia dos desejos. Contraio e relaxo. Evaporo. A brisa da sua respiração percorre a minha espinha e sobe até alcançar a orelha. Seu corpo molhado enrosca-se no meu. O cheiro, o gosto, a textura do desejo espalha-se por todo ar.
Sua língua transpassa os limites. Todos os ângulos, O ritmo muda e a dança continua até amanhecer.
Os braços e pernas percorrem todos o espaço, interminavelmente, para depois repousarem exaustos um sobre o outro.
Sem tempo nem espaço. Apenas nós.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O vento

O olhar ao longe, como se estivesse a procurar algo inexplicável. As folhas balançavam ao som do vento. Um vento frio e incessante. Não estava só, o silêncio o acompanhava. Um silêncio que só a ele pertencia. As sensações se misturavam. A pele se desfazia, assim como se esvai o sutil tocar de lábios. Amores tenros e momentâneos. O calor de seu corpo esfriava. O som das vozes perdiam-se no vento. Tudo girava. Não era mais possível distinguir o que era real e o que havia sido um sonho. Tremia. Não conseguia saber bem o porquê. Seria pelo vento gelado, ou pelo calor que se esvaia do corpo? Impossível determinar. Tudo, tudo tão longe. Os pensamentos se perdiam nos caminhos da lembrança. Misturavam-se os sonhos, os desejos irrealizados, os medos e anseios que o angustiavam antes de dormir. Um turbilhão formado por tudo que ele foi e por tudo que desejou ser e fracassou. Por muito tempo almejou ter o poder de esquecer. Fugir das lembranças que teimavam em enlaçá-lo e assombrá-lo. Agora isso...

Bem-vindos

Sejam Bem-vindos

Relatos selvagens:autonomia e responsabilidade

Até que ponto você é livre para ser quem você é? Qual o limite entre a sua culpa e a culpa dos outros em suas decisões? Ás vezes, acredito que já tenha ocorrido com você, nos surpreendemos com nossas próprias ações, agimos de certa forma que não nos imaginávamos capaz de agir. Daí indagar: até que ponto conhecemos a nós mesmos? Até que ponto temos o controle sobre nossas ações e reações? Estes são alguns dos temas tratados em “Relatos Selvagens”, filme argentino de 2014, dirigido por Damián Szifron, que conta seis histórias de pessoas que se encontram no limite do que chamamos “sanidade”. O primeiro relato apresentado pelo filme trata do dilema autonomia e responsabilidade. Sartre, filósofo francês do século passado, afirmava que somos condenados a ser livres e, neste contexto, somos totalmente responsáveis por quem nos tornamos. Segundo o filósofo, tomamos diversas decisões ao longo da vida, as quais apresentam sempre mais de um caminho possível, portanto, a escolha do percurso é ...