Pular para o conteúdo principal

Sem Título

Quando começa o passado? Quando já é futuro?
As perguntas detém os meus passos, ao mesmo tempo que me fazem caminhar.
Danço no ritmo do meu próprio tempo. Tropeço nos sonhos abandonados. O aroma do medo atravessa o meu corpo. Não temo mais o escuro, apenas o silêncio de sentimento.
Com a imaginação modifico a realidade. Assim, a angústia da impossibilidade não inibe a minha respiração.
Despedaço o meu coração para marcar o caminho. E volto desesperado a recolher as migalhas. Mas varias estações já se passaram.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um lado da mesa

Na última vez que nos reunimos, me lembro muito bem, estava uma noite estrelada, era possível fechar os olhos e sentir uma brisa suave acariciar o rosto. Caminhávamos lentamente, sem pressa para chegar. Às vezes parávamos e observávamos as pessoas ao redor, sempre tão apressadas, sempre tão ausentes. As pessoas me fascinam, gosto de pensar que elas realizam uma espécie de dança inconsciente. Os passos marcados, os espaços delimitados e quando um dos dançarinos erra a passada alguém sempre acaba se machucando. As pessoas são contradições em busca da felicidade. Essa busca absurda sempre me faz rir. Na verdade nunca entendi esta lógica: o ser humano sempre diz que quer alcançar a felicidade, mas nem ao menos entende o que isso significa. Eles ainda precisam entender o real sentido de tudo isto. Mas, nem olhe para mim, eu não sou a melhor escolha para obter esta explicação. E, mesmo que soubesse, não contaria. Não quero que tudo perca a graça. Um dos meus melhores passatempos é ob...

Bambolê

O bambolê girava de modo preciso. Pernas, braços, cintura, em uma sincronia impressionante. Um balé de cores, luzes e brilhos. A cada movimento mais ousado o público deixava de respirar, para em seguida soltar um suspiro de alívio. Aplausos, aplausos. Todos deslumbrados com a beleza do espetáculo. E por estarem preocupados demais com o rebolar dos bambolês, não foram capazes de perceber as lágrimas que faziam escorrer a maquiagem. Não repararam na tristeza daquele sorriso, no abandono daquele corpo envolto em bambolês.             Se alguém entrasse no teatro depois daquele espetáculo, observaria o silêncio dos aplausos, a escuridão das luzes e os vários bambolês coloridos jogados ao chão, enfeitando um belo corpo moreno.

A sociedade do fala que eu não escuto

Na sociedade de hoje, as informações circulam com uma velocidade avassaladora, assim como as opiniões. Todo mundo tem algo para dizer sobre tudo, o que seria muito interessante se não fosse a falta de percepção e análise sobre aquilo que se fala e sobre aquilo que o outro diz. Quando uma notícia aparece na mídia, imediatamente, começam a brotar opiniões de todos os lados, mesmo antes da reportagem acabar. As pessoas, ou melhor, grande parte das pessoas (generalizações são perigosas!) não se permitem digerir a notícia, ruminar a informação. Isso mesmo, ruminar. Assim como vários animais fazem com o alimento, nós precisamos fazer com a informação: regurgitar e novamente mastigar. Muitos apressadinhos não permitem nem mesmo que a informação passe para o aparelho digestivo, basta cheirar a notícia para extrai dela as mais convictas posições. Daí nascerem diversos e perigosos erros. O fato de existir uma chuva de conclusões sem uma análise mais apurada dos fatos, já é suficiente par...